10 julho 2006

O cidadão bem informado lê jornais e vê TV


Apesar de não convergir politicamente com Pacheco Pereira, tenho obrigação de lhe reconhecer um espírito crítico imparcial e a coragem de não embarcar pelo politicamente correcto.
Desde há muito que o movimento Nacionalista alerta para a podridão onde assenta a comunicação social em Portugal. Todos os dias nos entram pela casa adentro, imagens que descrevem o "terrorismo" que transforma a vida de milhões de possoas, num autêntico inferno.
Hoje, fui ao dicionário e procurei a palavra terrorista. Entre outros significados, saliento um, que assenta como uma luva à imprensa actual: "pessoa que espalha boatos alarmantes".
É neste contexto que não resisto a transcrever um artigo de Pacheco Pereira sobre a recentente "paranóia" que as TV's e jornais tentaram espalhar, relativamente à "ameaça nazi" que paira sobre Portugal:

«Passamos do arrastão que nunca houve para o contra-arrastão que sempre houve. O que é o contra-arrastão? É a negação politicamente correcta de que haja problemas de criminalidade violenta e endémica nas grandes concentrações urbanas que têm como actores jovens negros da segunda geração. Dizer isto parece logo racismo, deve motivar o nosso comissário para as minorias étnicas a pedir mais desculpas públicas por se ter nomeado cor ou raça ou condição migrante. O contra-arrastão que se reforçou pelo descrédito do arrastão é um produto como muitos outros do jornalismo de rebanho, aqui denunciado com veemência porque está do lado errado, quando noutros casos, é saudado como "jornalismo de causas" se está do lado certo (já alguém pediu desculpa aos portugueses pelos 100 mim mortos falsamente anunciados em Timor?). Mas não só: é também um produto de uma forma politizada e radical de um "anti-racismo" patrocinado emblematicamente pelo Bloco de Esquerda e que conheceu outro exemplo absurdo com o alarido comunicacional pelas declarações de um solitário (ou, se se quiser, acompanhado por umas dezenas) extremista "nacionalista revolucionário". Subitamente, pareceu que a pátria estava em perigo de soçobrar no nazismo, as hordas armadas prefiguradas no legal armamento exibido pelo homem. O absurdo de tudo isto é que ele foi brevemente o preso político que a democracia é suposta não ter, porque o excesso de zelo policial, a roçar a ilegalidade, não se imaginaria nunca para um rapper suburbano(*) que recitasse uma letra racista, como todos já ouvimos sem nunca nos soarem as mesmas campaínhas de alarme pelo apelo à violência que o solitário nazi fez soar pela comunicação social toda.»

Artigo de opinião publicado na Revista Sábado , nº 111, de 14 a 21 de Junho.
(*) Referência ao GENERAL D, cujas mensagens de incitação à violência contra os brancos e à luta armada, são bem conhecidas.