27 setembro 2006

O maior naufrágio da História

"A Alemanha é uma puta. Nós estamos na Alemanha. As cidades ardem e eu sinto-me feliz! O alemão não tem alma. Nós ergueremos andaimes em Berlim. O terror empurra o alemão e suas fêmeas para oeste. A Alemanha pode dar voltas, arder e uivar em agonia mortal. Chegou a hora da vingança!"
Ilya Ehrenburg, 1945

As crueldades perpetradas pelos soviéticos encorajados por propagandistas como Ehrenburg, iam desde o saque ao assassinato; das mutilações à tortura. No entanto, os episódios mais dramáticos, foram o trato dispensado às mulheres alemãs.
No território do 3º Reich, a violação de alemãs, incluindo meninas e idosas de 80 anos, converteu-se em prática sistemática.

Todos os meios possíveis e imaginários eram usados para escapar à maré de morte e aniquilação, fazendo recordar as hordes de Gengis Kan. Até o mar, era considerado um caminho de fuga para os que tentavam escapar aos soviéticos.
Durante a noite gélida de 30 de Janeiro de 1945, mais de 60.000 refugiados alemães de ambos os sexos aglomeravam-se junto ao molhe do porto Báltico de Gotenhafen, lutando contra o pánico e o frio.
Por entre empurrões e gritos, dezenas de milhares de pessoas acotovelavam-se, tentando embarcar no cruzeiro Wilhem Gustloff, o qual lhes iria proporcionar uma chegada desesperada à Dinamarca. Só um 1/6 dos refugiados conseguiu subir a bordo.
O Wilhem Gustloff tinha capacidade para 1.865 passageiros, no entanto, nessa noite acabou lotado com 10.582 refugiados de guerra, na sua maioria, feridos de guerra, mulheres, idosos e crianças.

Este enorme cruzeiro tinha sido utilizado, antes da guerra, como instrumento de lazer, proporcionando aos trabalhadores alemães, férias em vários destinos pelo atlântico, incluindo Lisboa e a ilha da Madeira. O seu nome, Wilhem Gustloff, era uma homenagem ao líder Nacional-Socialista assassinado em 1936, na Suiça.

Terça-feira, pelas 12.30 do dia 30 de Janeiro de 1945, quatro rebocadores começaram a arrastar o enorme navio para que este se fizesse ao mar.
O tempo era infernal. O vento apresentava uma velocidade de 7 nós, a temperatura era inferior a 10 graus negativos, nevava e havia grandes placas de gelo a flutuar pelo mar.
Por volta das 21:10, os passageiros sentiram um impacto contra o casco do Wilhem Gustloff. Porém, era impossivel saber que tinham acabado de ser atingidos por 3 torpedos disparados pelo submarino soviético S-13.

O primeiro projéctil atingiu o cruzeiro abaixo da linha de flutuação, no entanto os restantes,
tiveram consequências bem mais trágicas. O segundo torpedo, atingiu a zona da coberta E, matando quase todas as enfermeiras que se encontravam nessa zona. O terceiro impacto foi na casa das máquinas, que transformou essa zona num autêntico inferno para a tripulação que aí se encontrava, misturada com centenas de refugiados.
Enquanto os passageiros tentavam escapar às chamas, subindo às cobertas superiores, a tripulação lançava pedidos de SOS à costa de Stolpmunde, na Pomerania.
Ao fim de 50 minutos, o imponente cruzeiro desaparecia nas águas geladas do Báltico, levando com ele, mais de 9,000 pessoas, na sua maioria, feridos de guerra, mulheres e crianças.

Os poucos que se conseguiram aguentar, flutuando na água gelada, foram recolhidos pelo torpedeiro alemão T-36, que continuou a ser atacado pelo submarino soviético.
Dos 10,582 refugiados, escaparam com vida, menos de 1,000.
A tragédia do Wilhem Gustloff constitui o maior desastre naval da História, superando em 6 vezes, o número de vítimas do Titanic, que como se sabe, foi afundado por causas naturais.

A morte de quase 10,000 refugiados, foi considerado pelo regime soviético, um motivo para condecorar o comandante Alexander Marinesko, com a medalha de Heroi da URSS.